[eis] #23 - Se acostumar com o digital é a única saída?

Será que adianta lutarmos contra o avanço da tecnologia ou se acostumar e se deixar levar para alcançarmos um novo nível de uso, experimentação e consciência?

Eis a Newsletter #23

É muito interessante observar o comportamento das pessoas quando elas percebem a transição que estamos vivendo. A transição sobre como a tecnologia está realmente mudando nosso comportamento. E quando percebemos essa mudança acontecendo, nos sentimos desconfortáveis por que não sabemos nos comportar. Ficamos confusos sobre diversos assuntos: privacidade, quantidade de uso, excesso de consumo, ética, se é saudável ou não dentro outros pontos.

Por isso que ficamos horrorizados quando percebemos a quantidade de atenção que estamos dando para as telas e serviços que consomem nosso tempo de forma tão arrasadora e ao mesmo tempo sutil. Questionamos como será o nosso futuro ou no que a humanidade se transformará por causa do excesso de informação (inútil ou útil, falsa ou verdadeira que explode nas nossas caras).

É uma hipnotização ansiosa. Como se fosse aquela roupa nova, ou o celular novo, ou qualquer outra coisa que acabamos de comprar e já estamos ansiosos para usar. Eu ficava assim quando comprava um tênis ou um video game na minha adolescência… já queria usar logo, experimentar, me afundar na novidade até enjoar. Mas dependendo da minha sede por aquela novidade, tempos depois a coisa esfriava e ela começava a fazer parte da minha vida. É aquela história da adaptação hedônica. Quando isso deixar de ser uma novidade do jeito que conhecemos, a normalidade também estará mudada? Ou seja, a realidade de como vivemos, como vivemos, os artefatos que fazem parte do nosso dia a dia também estarão sendo medidos e formados por valores diferentes dos de hoje?

Eu chuto que no futuro, a tecnologia será tão ubíqua no sentido de estar presente em praticamente TUDO (hoje não está em tudo) que conhecemos, que as pessoas já estarão tão acomodadas, que talvez elas serão pessoas menos hipnotizadas/vidradas que nós. Nós não estaremos mais horrorizados sobre o como as Big techs usam nossos dados... acho que essa (e outras preocupações atuais) será uma coisa tão pequena diante de outros paradoxos éticos.

Eu não sei explicar isso e foi mal pelo devaneio mal escrito. Mas realmente eu acredito que não é possível lutar contra o que está acontecendo hoje. Acho que a saída é realmente tentar fazer uma evolução dirigida, controlando o ambiente em vez da tecnologia em si. Acho que uma das saídas será realmente avançar o mais rápido possível, para que possamos evoluir e encontrar essa nova consciência.

Não estou dizendo para abraçarmos de olhos fechados a nova realidade, pelo contrário, estou dizendo para abraçarmos de olhos abertos, atentos, para entender o que há além desses pontos de desconforto e principalmente para localizarmos os pontos cegos.

Ouvi numa palestra da Denise Fraga que a utopia serve para fazer a gente caminhar. A utopia está no horizonte. E se você dá dois passos, ela também dá dois passos a frente. E esse é o estímulo da Utopia para o ser humano: ela te estimula a caminhar, pra frente e pro futuro.

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