[eis] #19 - Pergunta: Qual a sua técnica para anotar e estruturar as informações do dia a dia?

Uma pitada sobre como eu tento estruturar minhas novas e informações

Eis a Newsletter #19

Eu abri um pool para que pessoas pudessem me fazer perguntas sobre gestão de produtos e outros assuntos, como produtividade. Uma das perguntas mais votadas é Qual a sua técnica para anotar e estruturar as informações do dia a dia?

Aproveite e coloque sua pergunta lá também. :-D


TL:DR;

  • Se foque em criar o hábito de anotar, não em ferramentas ou métodos… Isso vem depois. Crie o hábito de forma que isso faça parte da sua rotina… que seja leve. Que você consiga manter de forma orgânica e sustentável. O que importa aqui não é velocidade ou quantidade, mas ter conteúdo de qualidade feito por e para você, exclusivamente. Esse hábito precisa te trazer um impacto positivo: aumento de produtividade, acertividade em decisões, retroalimentação para criar conteúdo publicável etc;

  • Anote tudo de uma reunião, quando assistir um documentário, quando ler um livro. Se estiver ouvindo um podcast, por exemplo, e ouviu alguma coisa interessante , pause o programa, anote e depois volte a ouvir. É a melhor forma de anotar coisas: no momento que elas acontecem;

  • Não fique preso a uma ferramenta. Eu não gosto de discutir muito ferramenta. Hoje existem uma série de ferramentas alternativas para anotação como Ulysses, Obsidian, Roam, Notion, Google Notes etc…  Eu uso o Bear. Minha sugestão é escolher uma ferramenta que permita no mínimo fazer backlinks entre notas e organização com tags. Sem isso, suas anotações serão apenas anotações. Elas não criarão realmente uma rede conectada de conhecimento, que é o que você precisa;

  • Pesquise sobre métodos como o Zettelkasten. Você vai aprender muito sobre anotações estruturadas, atomic notes, relacionamento de informações, organização usando nomenclaturas e taxonomias adequadas;

  • Eu deixo tudo no Bear. Seja artigos, sejam anotações de reuniões, de livros, de documentários, podcasts… quase tudo. Eu só não deixo no Bear anotações não permanentes, por exemplo, um telefone, endereços ou seja, notas que são totalmente descartáveis e que vão durar apenas alguns momentos;

Criando o hábito

Eu criei esse hábito de anotar há um tempão atrás, quando era comum fazermos tweets sobre palestras e eventos que estávamos participando, principalmente usando uma hashtag específica para que as pessoas que não estivessem presentes pudessem acompanhar, mesmo que de forma macro. 

O que eu fazia era simplesmente escrever e publicar direto da interface do twitter comentários ou frases ditas pelo palestrante. No início eu achava que estava floodando minha timeline (e estava mesmo), mas as pessoas não pareciam se importar, pelo contrário, elas começaram a agradecer pela “cobertura” detalhada. Depois do evento eu pegava os tweets e colocava em uma nota centralizada e pronto. 

Com o tempo eu comecei a anotar filmes, documentários, podcasts, livros, tudo o que eu sabia que eu poderia me interessar posteriormente, tanto para estudar ou para consultar sem tantas burocracias da internet. 

(Não) Formato e (não) método

A realidade é que eu não sigo um método com nome bonito e processos bem definidos. Minhas anotações geralmente são lineares em formato de texto corrido mesmo, na maioria das vezes em formato de artigo e prosa. 

Eu comecei a escrever mais em formato de bullets depois que li mais sobre Zettelkasten, mas só para aquelas anotações mais especificas como em reuniões ou para destacar pontos importantes em conversas.

Eu não gosto muito de perder tempo configurando ferramentas. Por isso que eu não consegui me acostumar com Obsidian ou outras ferramentas de anotação. Além de serem feias para chuchu, eu passava mais tempo configurando e tentando deixar o texto mais legível, e a interface mais usável, do que fazendo anotações. Tem gente que adota templates, que tem todo um ritual e seguem formatos bem definidos de tipos de anotação. Eu não sou desses, mesmo.

Essa é uma parte de uma das anotações que fiz aqui. Nada de “frontmatter” no início ou algo parecido.

Nesse caso aí calhou de não ter nem backlink nem links no meio do texto, mas geralmente as anotações estão totalmente conectadas com algum assunto ou contexto anterior.

Ferramentas

Atualmente eu uso o Bear. E mesmo que eles estejam demorando para lançar novidades, o Bear consegue ser muito simples, com a maioria das features principais para se fazer anotações estruturadas. Contudo, estou muito ansioso para usar o Mem. Eu já uso ele, mas não com tanta frequencia por que não quero manter anotações em dois lugares. Além disso o Mem ainda não tem um processo de importação e exportação decentes.

Tags

O Bear (e outras ferramentas) aceitam tags encadeadas. Perder um pouco de tempo pensando em como pensar nas nomenclaturas é legal, mas eu não sugiro que você perca tanto tempo assim nesse assunto. Eu acho que isso é um processo contínuo. Direto eu mudo os nomes, as nomenclaturas, ordem das tags e etc. Por isso, não é algo que precise ser escrito em pedra.

Contudo, é importante marcar todas as suas notas com tags. Na minha experiência, usar tags é a maneira mais fácil de relacionar notas. É onde estamos mais acostumados a relacionar com uma maneira estruturada. Conforme você vai se acostumando com a sua própria maneira de anotar, você vai inserindo tags no meio de textos e posteriormente você cria conexões entre notas. O importante é criar relação e associação entre seu conteúdo. Mesmo assim, não sei preocupe em ter notas não relacionadas. 

O que eu vou mudar em breve é a organização dessas tags, deixando-as menos estruturadas e mais organicas. Em vez de fazer algo como #writing/blog eu posso fazer duas tags #writing e #blog. Isso já me diz que se trata de um conteúdo escrito do blog. ou por exempo #writing #religion, que já me mostra escritos sobre religião.

Ter uma listagem de tags é útil pra fazer navegação, mas quando você tem um sistema de busca esperto tipo do Obsidian ou do Mem, ter uma listagem de tags se torna totalmente inútil.

Eu estou mudando minha forma de taguear. Eu senti que minhas tags estão muito estruturadas e não acho que isso seja ideal. Então, quero deixá-las mais soltas e só estruturar o que não tem jeito mesmo. O que eu quero dizer com estruturadas? Bom, pensa o seguinte: você tem dois projetos: Projeto 1 e Projeto 2. Você faz reuniões sobre os dois projetos. Em vez de você ter uma tag #projeto1/meetings e #projeto2/meetings, é melhor ter uma tag #projeto1 e outra #meetings.

Contudo, não fique preso à isso. Estrutura suas tags do jeito que sua rotina funcione, depois evolua para outro formato se achar necessário. A ideia é exatamente não ficar preso a um método específico, mas evoluir seu flow e sua anotação conforme você avança no tempo.

Markdown

Eu usava o Google Notes antes do Bear. Mas não aceitava Markdown. Essa é uma dica importante. Quando você anota bastante coisa, você precisa de um mínimo de formatação. Essa formatação precisa ser flexível para que eventualmente você exporte esse texto para utilizar de outras formas. Usar Markdown deve ser obrigatório. 

Leia mais sobre Markdown aqui e nunca mais escreva de outra forma.

Sobre sua própria Personal Knowledge Base (PKB)

Personal Knowledge Base é o nome dado pelo mundo para esse hábito de anotar e usar essas anotações posteriormente. Construir um PKB é simples, basta escolher uma ferramenta da sua preferencia e anotar/escrever. 

Essa é minha árvore de notas (extraído do Obsidian). O propósito de um PKB é criar uma base de conteúdo que seja “seu segundo cérebro”. Para você fazer isso, seus textos precisam estar conectados. Isso é possível fazer de várias formas. As duas formas mais usadas são: backlinks e tags.

Muita gente se preocupa com organização das notas em pastas, separando por assuntos específicos e etc… Esqueça isso. A ideia é que organização seja mais associativa do que estrutural (falei um pouco disso lá em cima, na parte de tags). É mais ou menos como a web e o seu cérebro funciona. Escrevi sobre como organizar informação em 2013 (o texto está um lixo, me desculpe). E escrevi um livro sobre Web Semântica que explica toda a história de como organizar a informação de forma associativa, que é basicamente a base da web que conhecemos. 

Existem técnicas como o Zettelkasten que pode dar uma base muito nobre para quem está querendo fazer anotações estruturadas. Eu também participo de um grupo o telegram onde discutimos ferramenta se métodos. Se interessar, segue o link

Conclusão

Eu queria deixar claro que sou muito a favor de você tentar começar a anotar antes de tudo. Vejo muita gente testando uma infinidade de apps e métodos, mas se esquece de criar o hábito de anotar, que é o principal. Então, sugiro que você tente criar o hábito de anotar, e depois, encontre um workflow que combine com a sua rotina pessoal e de trabalho para fortalecer ainda mais esse hábito… A mesma coisa acontece com a ferramenta. Encontre um editor que potencialize ainda mais essa rotina e que facilite o ato de anotar.

Nós temos um grupo sobre Notas e Produtividade no Telegram. Se quiser entrar e trocar uma ideia, segue o link: https://t.me/notas_e_produtividade